O Uso da Cannabis Pode Ajudar Com a Diabetes e Outras Doenças

Cannabis para diabetes: você fica “high”, mas o seu açúcar fica “low”


 

As propriedades medicinais da cannabis sativa são conhecidas ha mais de 10.000 anos. Mas desde a década de 1930 até o presente, as propriedades medicinais dessa planta foram ignoradas. Seu uso é ainda marcado por preconceitos mas isso esta mudando em passo acelerado. Agora, com a legalização em vários estados norte-americanos e em outros países, a cannabis está finalmente recebendo mais atenção da comunidade científica e os resultados são promissores.

Muitos procuram tratamentos alternativos para combater doenças. A cannabis esta repleta de compostos bioquímicos medicinais e pode ajudar muito, mas o público em geral desconhece. Novos estudos envolvendo o uso da cannabis estão surgindo nas áreas de prevenção e tratamento. Doenças como o câncer, convulsões e diabetes são algumas na lista. A cannabis quando usada para o tratamento da diabetes promete ter benefícios mas sem a participação da comunidade cientifica ha o risco de ficar na obscuridade, descriminação ou a não realização do seu completo potencial.

Cannabis parece ter influência benéfica no controle dos níveis de açúcar no sangue e alivia vários fatores agravantes. Um deles é a relação entre, ser um estimulador do apetite e a controle da glicose no sangue. Em outras palavras: a cannabis quando consumida promove a fome mas ao mesmo tempo abaixa o nível de açúcar no sangue. Esta relação ainda não é bem entendida mas bem constatada; e pode estar associada ao sistema endocanabinóide e seus receptores no cérebro.

O sistema endocanabinóide é um grupo de neuromoduladores de lipídios. Seus receptores no cérebro estão envolvidos em uma variedade de processos fisiológicos, incluindo apetite, sensação de dor, humor e memória. Este sistema é o mediador dos efeitos psicoativos da cannabis mas também é nativo ao organismo humano. O sistema endocanabinóide esta presente em todos, nós ao que nascemos com ele. Se a maconha estimula o apetite, então você me pergunta, como isso pode ser bom para o diabetes?

É verdade que a maconha dá muita fome, mas ao mesmo tempo que abre o apetite esta associada com um índice de massa corporal mais baixo naqueles que a utilizam. Em suma, quem consome a maconha tem um índice de obesidade menor do que outros que não a usam. Mas porque isso? Estudos recentes investigam exatamente isso.

A cannabis é tão eficiente em abaixar o nível de glicose que muitos confundem o seus efeitos psycologicos com os efeitos negativos da hipoglicemia (confusão, medo, tachycardia, paranoia) 

Estudos recentes

O primeiro estudo  investiga os benefícios de Tetrahydrocannabivarin (THCV) um CB1 neutro em ratos de laboratório obesos. A administração de THCV em ratos obesos constatou melhoramentos nas funções metabólicas destes animais. O THCV melhorou o controle glicêmico em jejum, e tolerância à alta glicose. Quando administrado duas vezes ao dia, melhorou também a sensibilidade à insulina.



Um aumento no nível gasto energético, também foi observados em ratos obesos. THCV também mostrou-se eficiente em reduzir os níveis de triglicéridos no fígado. Em outro estudo a utilização de Rimonabant ou CB1 que foi testado em humanos e o uso do CB1 provocou uma queda de 4,7 kg ou mais em perda de peso em relação ao grupo que não usou CB1. O tratamento também revelou a ação benéfica nos factores de risco ao metabolismo, como o aumento do colesterol HDL (o bom) e uma diminuição nos triglicéridos (gorduras no sangue).

Em ainda outro estudo  a investigação concentrou-se diretamente entre o diabetes mellitus e cannabis. O estudo utilizou uma amostra total de 10.896 adultos, incluindo grupos de não-usuários de maconha; ex usuários de maconha; usuários leves, e usuários pesados. Os resultados demonstraram que os usuários de maconha apresentavam menor prevalência de diabetes em comparação com não-usuários.

A prevalência elevada da proteína C reativa foi significativamente maior nos não usuários de maconha (proteína C reativa está relacionada com a inflamação de nível sistêmico portanto, níveis baixos são os mais desejáveis). Esses achados demonstraram as propriedades anti-inflamatórias de maconha. O estudo também descobriu que o usuário da maconha que começa a consumir cedo ou mais jovem tem mais proteção contra a diabetes.

Este estudo também avalia e cita outros estudos parecidos onde ratos foram utilizados. Benefícios significativos foram encontrados em relação à propriedades anti-inflamatórias. Verificou-se também que CB (o canabidiol não psicoactivo) também demonstrou atenuar a progressão da diabetes tipo I nestes animais.

Estes estudos mencionados apresentam algumas limitações. O primeiro é devido a sua natureza, de corte transversal. Pessoas que participaram do estudo não refletem uma amostra que representa a população em geral. Outras limitações foram o formato de auto-relato: e difícil averiguar o auto relato especialmente quando se trata de uma substancia ilegal.

Então o que podemos fazer?

Depois de tantas evidências sobre os benefícios da cannabis – vamos apertar um para combater a diabetes? Talvez, porem muito embora as propriedades medicinais da maconha já são conhecidas há muito tempo, estamos apenas descobrindo como elas funcionam para diabetes. Muitos estão relatando o sucesso com o uso da cannabis para terapias em diversas frentes, mas ainda existem perguntas a serem respondidas. A metodologia quanto ao seu uso para a medicina ainda carece.

A potência da cannabis têm aumentado. Produtores desenvolvem novas técnicas de plantio e dosagens variam muito; as propriedades de determinadas plantas estão sendo estudadas agora. Podemos conhecer os benefícios comprovados em estudos laboratoriais, mas o seu uso na medicina ainda não foi testado nas populações, isso exige um período de tempo mais longo.

Infelizmente, as terapias disponíveis ainda estão sendo desenvolvidas. Por causa do seu status ilegal, a maconha é mantida fora do alcance dos profissionais de saúde na maior parte do mundo. Os cientistas ainda estão tímidos na sua aceitação e temem perder reputação e fundos para seus projetos de pesquisa, o que é uma lástima.

A boa notícia é que essas atitudes estão chegando ao fim e a comunidade científica está pronta a abrir as portas para a cannabis. Há muito o que aprender com essa planta fenomenal e poderosa.

 

 

 

 

Referencias:

  1. The cannabinoid D9 -tetrahydrocannabivarin (THCV) ameliorates insulin sensitivity in two mouse models of obesity
  2. The cardiometabolic drug rimonabant: after 2 years of RIO-Europe and STRADIVARIUS 
  3. Decreased prevalence of diabetes in marijuana users: cross-sectional data from the National Health and Nutrition Examination Survey (NHANES) III

Créditos de imagem: flickr.com

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Marcos Taquechel

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